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Polí­cia

23/12/2013 - Redação

Foto: Divulgação

Na manha da ultima sexta-feira, 20, Policiais Civis de Colinas do Tocantins com o auxilio de agentes da Secretaria da Defesa Social (Seds) sob o comando da Delegada Regional de Colinas, Olodes Maria Oliveira Freitas, seguindo determinações do Secretario de Segurança Publica, da Chefia da Polícia Civil e da Diretoria de Polícia do Interior, após dois meses de investigação, deflagraram a operação "Além das Fronteiras" na cidade de Araguaína onde foram presas onze pessoas acusadas por crimes diversos.

A ação policial teve como objetivo combater o tráfico de drogas e o crime organizado que eram comandados de dentro da Unidade Prisional Barra da Grota, bem como a organização de facções criminosas que se instalaram no Tocantins.

Na oportunidade, foi dado cumprimento a 12 mandados de Prisão Preventiva e 09 mandados de Busca e Apreensão naquela cidade, sendo que, inclusive, foi realizada buscas em um escritório de advocacia na cidade.

Foram presos na operação Rafael Martins Costa, 21 anos, estagiário de um escritório de advocacia e estudante do 10º período de direito do Itpac, Jardiel dos Santos Lopes, 30 anos, apontado como sendo o líder de uma das facções criminosas, e por ser o mentor de diversos crimes realizados fora do presídio, Deive Denis Alves, apontado como membro de uma das organizações criminosas e por ser um grande traficante de drogas, Carlos Alessandro, apontado como membro de uma das facções criminosas e por incitar os demais membros a se unirem contra o sistema e a polícia, Nilson Batista, 23 anos, apontado como sendo o líder de uma das facções criminosas, e por ser o mentor das ameaças realizadas contra Juízes e Promotores, Wallisson Miguel da Silva, acusado de tráfico de drogas e de auxiliar os detentos nas ações criminosas fora do presídio, Maguina Lucia Oliveira da silva, 44 anos, acusada de tráfico de drogas e de auxiliar os detentos nas ações criminosas fora do presídio, Josivan Vieira da Silva, Paulo Costa Sales, Daniel Batista, José Arimatéia, todos funcionários da empresa Umanizzare.

Durante as investigações foi possível comprovar, de fato, a existência de duas facções criminosas dentro dos presídios Tocantinenses, bem como que estas são as responsáveis pelas constantes ameaças a Juízes e Promotores de Araguaína.

Segundo apontaram as investigações Jardiel dos Santos Lopes, também conhecido como "CTO" e/ou "Calango Tocantins", e Nilson Batista, vulgo "Xenon" são os líderes das organizações criminosas, bem como são os responsáveis por gerenciar e comandar alguns crimes realizados fora do presídio e em todo o Estado, dentre eles, assaltos a lojas e caixas eletrônicos além do tráfico de entorpecentes.

Carlos Alessando, vulgo "Sangue Bom", e Deive Denis Alves, alcunhas "PR" e/ou "Paraná", foram identificados como sendo membros da cúpula das organizações criminosas, bem como exercem a função de conselheiros das mesmas e são os segundos na linha de comando de suas respectivas facções. Diante disto, foram presos os lideres das duas facções criminosas, sendo que ainda foram realizadas buscas em suas celas visando encontrar documentos e aparelhos celulares.

Durante os dois meses de investigações, foi possível comprovar via interceptação telefônica autorizada pelo Poder Judiciário, que funcionários da empresa Umanizzare faziam "corres" para os detentos, ou seja, recebiam dinheiro para permitir a entrada de aparelhos celulares e diversos outros objetos para os presos.

Em seu depoimento, um dos presos afirmou que o valor cobrado pelos agentes de ressocialização variava entre R$ 800,00 (Oitocentos reais) a R$ 3.000,00 (três mil) para fazer o serviço, sendo que este valor dependia do modelo e tamanho do aparelho celular.

Em algumas mensagens de texto trocadas entre "CTO" e uma terceira pessoa, o acusado pede para o outro homem comprar algumas baterias de celular. Também foi apurado que o agente da empresa cobrava o valor de R$ 100,00 (cem reais) para por cada unidade de bateria que era repassada para dentro do presídio.

Além disto, também foi possível identificar que existe na referida Unidade Prisional a compra de celas, ou seja, os detentos que tinham condições de comprar um local onde desejassem ficar poderiam fazê-lo tranquilamente.

Em um dos áudios interceptados um detento informa a sua mãe que pagou o valor de R$ 500,00 para ficar em uma determinada cela, bem como precisaria de R$ 1.000,00 para comprar um aparelho celular. Em outro momento, foi possível identificar também que alguns detentos possuíam o poder de comandar a transferência dos demais detentos, ou seja, eles poderiam remanejar aqueles que quisessem para perto ou para longe de suas celas.

Conforme constam nas provas, Rafael Martins, com a ajuda de sua ex-namorada que trabalhava em uma das varas criminais do fórum de Araguaína, sempre que desejava informações dos processos e transferência dos detentos, as conseguia com muita naturalidade uma vez que tinha amplo acesso aos documentos. Deste modo, Rafael foi flagrado em diversos momentos repassando informações para os detentos via celular.

O acusado repassava informações inclusive via e-mail para os detentos, e recebia e-mails dos mesmos com denuncias que o próprio Rafael encaminhava para a imprensa.

Os detentos investigados, por diversas vezes, foram flagrados orquestrando assaltos, saidinhas de banco e outros crimes de dentro do presídio. Em uma das ocasiões algumas pessoas foram presas em decorrência das informações repassadas pela equipe de Colinas à polícia de Araguaína, sendo que nesta oportunidade foram presas as pessoas responsáveis por um assalto realizado na cidade de Babaçulândia.

O comércio de armas também ficou claro nas investigações, sendo que foram flagradas inclusive a negociação de armas de grosso calibre tipo fuzis e pistolas calibre 9mm.(SSP)