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Economia

05/03/2013 - Redação

Foto: Divulgação

O ritmo acelerado que impulsiona o crescimento industrial no Tocantins tem atraído atenção de grandes empresários do mundo todo. Grandes obras como a FNS - Ferrovia Norte Sul que corta o Tocantins em 800 km, a hidrovia Araguaia-Tocantins, as hidrelétricas e o Teca – Terminal de Cargas do Aeroporto de Palmas, em implantação, são atrativos fundamentais para os empresários que desejam investir no Estado, pela sua logística e localização geográfica. 

O ritmo de obras no entorno da ferrovia é o sinal de que a industrialização chegou e a economia vem crescendo e a geração de emprego também. “O Tocantins está aberto ao empreendedorismo, especialmente às indústrias, que agregam valor aos produtos tocantinenses. Os pátios da FNS promovem novas oportunidades para a instalação de grandes e pequenas empresas, fomentando o mercado e gerando emprego e aquecendo a economia. É a transformação econômica e social que estamos acompanhando nestes últimos dois anos no Estado”, analisa o titular da Secretaria do Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação, Paulo Massuia.  

Um dos seis pátios da Ferrovia Norte Sul está instalado na região centro norte do Estado, em Guaraí. É o terminal ferroviário de transbordo de combustível Tupirana/Guaraí, que a Usina de Pedro Afonso, a oitava unidade de Açúcar & Bioenergia do grupo Bunge, utiliza para escoamento de sua produção. Ação que ilustra a certeza de que os investimentos estão chegando, juntamente com o progresso.  

A Usina fica a uma distância de quase 50Km da Ferrovia Norte Sul. Com investimentos totais da ordem de R$ 600 milhões, possui capacidade de moagem de 2,5 milhões de toneladas de cana-de-açúcar por ano. Utilizando o que há de mais moderno em tecnologia, a usina realiza plantio e colheita totalmente mecanizados e gera mais de 1.300 empregos na região. O terminal de Tupirama/Guaraí contribui para o escoamento da produção da Bunge e movimentou, em 2012, cerca de 20 milhões de litros de etanol.  

A Bunge recebeu incentivo fiscal do Governo do Estado, através do Proindústria, Programa de Industrialização Direcionada, incentivo que beneficia empresas do segmento econômico industrial. Em 2011, quando foi instalada, a empresa investiu R$ 600 milhões na obra. “Ao optar pelo Tocantins para abrigar a primeira usina construída do zero no Brasil, a Bunge inovou desde o plantio do canavial até a definição de processos produtivos para a operação industrial”, informou o vice-presidente da Bunge Brasil, Ricardo Santos.

Em parceria com centros de pesquisa e tecnologia, a empresa se dedicou a desenvolver variedades de cana-de-açúcar específicas para o clima e o solo da região, além de implantar o maior pivô de irrigação do mundo, com mais de 1.300 metros de extensão (raio). Em 2012, a Usina processou um volume aproximado de 2 milhões de toneladas e em 2013 a unidade começa a comercializar energia elétrica. Para os próximos anos a intenção é duplicar a capacidade de produção. 

Pequenas empresas se desenvolvem no mesmo ritmo 

Este crescimento acelerado nas regiões tocantinenses vem beneficiando também pequenos empresários do Estado, é o caso, por exemplo, de uma empresária de Guaraí, há 173 km de Palmas. No ramo de hotelaria desde o ano de 2000 a empresária Salomé Mesquita viu seu negócio prosperar nos últimos dois anos, com um aumento de até 40% no número de hospedes. “Com a instalação das empresas para construção da ferrovia e instalação da empresa Bunge, os hóspedes aumentaram e começamos a notar uma outra realidade na cidade, pois, tivemos que nos adequar a esta nova situação de crescimento populacional e com isto aumentar a qualidade de nossos serviços”, diz a empresária.  

O hotel que tinha 20 quartos, hoje, conta com uma estrutura para 40 quartos, foi reformado, ampliado e possui outros serviços para atender ao hospede mais exigente. “Guaraí está crescendo e as indústrias chegando, por isso precisamos crescer junto, nos qualificar para não perder a qualidade e nem os clientes que são exigentes”, conclui a proprietária planejando mudar a decoração e trocar equipamentos do hotel este ano. 

Interesse das empresas elevou o preço dos lotes  

O volume de negócios e a demanda crescente por áreas do entorno dos pátios da FNS revelam ainda, outro cenário econômico no Tocantins. Dados da Valec apontam que empresas chegaram a investir quase 400% a mais do que em 2011 para arrendar um lote na Plataforma Multimodal da Ferrovia Norte Sul em Porto Nacional. Os motivos para essa valorização seriam os investimentos constantes dos governos Federal e Estadual em transporte e logística na região, aumentando sua competitividade.  

Em 2011, o maior valor oferecido em licitação por um lote de 12,05 hectares, destinado à operação com combustíveis, foi de R$ 1.621.000; já em 2012, os números subiram para até R$ 3.794.000 por um lote quase cinco vezes menor, com 2,4 hectares voltados à atividade com grãos. Uma alta de quase 235% se comparada ao preço pago por um lote na plataforma no edital anterior.  

Entre os concorrentes que participaram das duas licitações, em 2011 e 2012, a empresa NovaAgri, do ramo de armazenamento e transporte de grãos, arrendou lotes nas duas concorrências públicas, mas precisou investir quase 400% a mais para vencer a 2ª licitação. O preço pago pelo lote subiu de R$ 520.000 em 2011 para mais de R$ 2.000.000 em 2012.  

O diretor presidente, Marcus Menoita, da NovaAgri, empresa Infra-estrtura de armazenamento e escoamento, acredita que o Tocantins é uma região de destaque no cenário nacional. “Acreditamos que este novo corredor é a porta de saída da nova fronteira agrícola brasileira. Existem milhões de hectares não cultivados por falta de infraestrutura logística. Este projeto certamente é um investimento estruturante que viabilizará o acelerado crescimento da região”, pontuou o diretor presidente da NovaAgri,.

Plataformas

O Tocantins conta com seis plataformas multimodais da FNS: Aguiarnópolis, Araguaína, Colinas do Tocantins, Guaraí, Palmas e Gurupi. Cada pátio já está divido em lotes e muitos deles já tiveram licitação aberta. Entre os mais adiantados no que diz respeito à implantação de empresas está o de Porto Nacional/Palmas, onde está instalada da Petrobrás, através da BR Distribuidora. A empresa está instalando o maior centro de distribuição de combustíveis em pátios de ferrovia do país, com investimento previsto de 125 milhões de reais.  

Mais de 700 quilômetros, que correspondem ao trecho da FNS entre Palmas e Açailândia, Maranhão, estão concluídos e em pleno funcionamento. O trecho entre Palmas e Anápolis, Goiás, a previsão é de que os quase 860 quilômetros de ferrovia sejam concluídos este ano. (Ascom SIC)